A globalização está em retrocesso

Guilherme d’Oliveira Martins, ex-ministro das Finanças e Daniel Bessa, economista e ex-ministro da Economia, afirmaram durante o 42.º Congresso Nacional da APAVT (Associação Portuguesa das Agências de Viagens) que está a decorrer em Aveiro, que a globalização não vai avançar, está mesmo em retrocesso.

Durante a sessão onde o tema em debate foi  ‘Desafios e a responsabilidade de ser português’, Daniel Bessa lembrou que o desenvolvimento do turismo em Portugal aconteceu quando se virou para fora. Nos anos 60 do século passado com a abertura à EFTA – Associação Europeia de Comércio Livre (em inglês, European Free Trade Association) e no período de 1985 a 2000 com a entrada na União Europeia.

Contudo, mencionou as dificuldades com que o mundo se debate neste momento e admitiu que a globalização não irá avançar: “Não acredito que o mercado entre os Estados Unidos da América e a Europa irá se abrir e a globalização não vai avançar sobretudo nas mercadorias e na emigração”.  O economista afirmou que o retrocesso vai acontecer mas uma das áreas onde isso não se irá verificar é precisamente no turismo, “é a atividade que bate mais certo na economia mundial”.

Bessa falou ainda de um bloqueio no país. “O que nos separa de 2000 a 2016 é apenas um crescimento de 3%. Estamos de facto num bloqueio. E mesmo que o turismo esteja a crescer não podemos descansar. O descanso é o suicídio”, alertou.

Já Guilherme d’Oliveira Martins, adiantou que o futuro é incerto e avistam-se tempos conturbados mas também podem ser de oportunidades. Sobretudo para Portugal, mas para isso é indispensável apostar na qualificação, formação e educação. “A educação é a base do desenvolvimento da sociedade e da qualidade de um país”.

O ex-ministro da Finanças também afirmou que a globalização está em retrocesso e “ isso é visível com o Brexit e a nova presidência dos Estados Unidos da América”.

Foi também com essa constatação que aproveitou para reforçar o papel de Portugal no Mundo. “Não podemos esquecer que o português é a quinta língua mais falada no mundo e isso é um património único. Os desafios e responsabilidades de falar português são maiores do que ser português”, admitiu Guilherme d’Oliveira Martins.

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